quarta-feira, setembro 02, 2009

CAROCINHO

Ô Jão, você sabe que eu pegava. Nem dou nome das vadias que comi aqui no bairro. Ia sujar pra mim.
Comia na moral, Jão, no papo. Você sabe disso. Nunca paguei, nunca dei presente.
Jão, há um mês fazia isso. Trinta dias atrás.
Uma porra dum carocinho na garganta.
Nem me incomodava tanto. Ó como estou, Jão: careca, esquálido, destruído, destroçado, brocha.
Jão, quantas vezes você me viu andando lá pros lados do Nova América.
Você de carro e eu no trote.
Caraio, não consigo dar a volta no quarteirão.
Um carocinho tá me arrebentando, Jão.
Um porrão de remédios. Todo dia no hospital. Espero, espero, espero... Me confundo com os comprimidos. A cabeça vazia. Vomito, vomito... Cago, cago... Um carocinho, Jão.
Jão, há um mês pegava geral. Tô com 60 e cansei de passar meninas de 20.
Tudo no papo. Só pau. Hoje, o pau não levanta.
Um carocinho.
Jão, ainda tem três meses de tratamento. Sou um trapo depois de um mês. Daqui a três serei um resto de homem, morto.
Por causa de um carocinho.

2 comentários:

Belchior disse...

hahahahahahahahahaha, tu é maluco, gordo – sabe Deus de onde você tira essas merdas. rsrsrsrsrssss

Utahy disse...

Da vida, linda flor.