sábado, abril 14, 2007

A melhor banda do mundo

Se me perguntassem qual o melhor grupo de rock de todos os tempos, não saberia responder. A cada época da vida, gostava mais de um determinado grupo ou cantor.
Já foram os melhores: Beatles, Yes, Genesis, Neil Young, David Bowie, Clash, Lou Reed, Who, Queen, Jesus and Mary Chains etc etc. Juntamente com esses, sempre ouvi muitos outros.
Lendo um post no blog de meu ex-chefe, o KreK, recordei-me de um hábito que em minha adolescência era normal, o de nos reunirmos para ouvir e discutir as novidades musicais. Tínhamos nossos grupos favoritos e os defendíamos com vigor.
Qual meu grupo favorito, hoje? Para responder a essa pergunta, olhei meus milhares de cds e vinis, consultei-os e eles quedaram-se em silêncio. Mas minha amiga TV socorreu-me. De lá saiu o som do The Flaming Lips, que se apresentava no programa de Jools Holland e nenhuma dúvida mais ensombreceu meu hesitante coraçãozinho. O The Flaming Lips é minha banda do momento.
Conheci-os tardiamente. Há dois anos. Tenho apenas três cds do grupo. Todos geniais. Minha dureza crônica me impediu de vê-los em show aqui no Rio e também me impede de comprar seus discos importados, mas o FL tem a alucinação necessária a um bom grupo de rock.
Perto deles chega o Arcade Fire. O primeiro cd do AF é obra-prima. Néon Bible, o segundo, está vindo para mim por Sedex, da Velvet. Se for tão bom quanto Funeral, terei um novo melhor grupo de rock do mundo para anunciar.

Exagero

Francês é mesmo esbanjador.
Manual pra turista escrito na terra do cê-cê recomenda que o cidadão da pátria do biquinho, ao andar por cidades brasileiras, traga no bolso 50 pratas para o ladrão.
Exagero. No Rio, meliantes, com ou sem farda, ficam exultantes com qualquer dezinho.

Valor

- Juquinha, acabou. Não dá mais.
- Por quê? Íamos tão bem.
- Você é um amor, mas não agrega valor.
- Claro que agrego.
- Fofo, carinhoso, atencioso, mas...
- Magali, a acusação que você me fez...
- Você não é feio, mas não é lindo; financeiramente, indefinido; intelectualmente, medíocre.
- Amor, você não terminou o médio. Pra mim você é linda, mas só pra mim.
- Juquinha, te amo, mas, daqui pra frente, só namoro quem me agregar valor.

quarta-feira, abril 11, 2007

Besta política

Sou uma besta política.
Por duas razões: não faço e não entendo política.
Bush enviou suas marionetes para o Iraque por duas razões principais: as armas químicas que Saddam escondia e a amizade que unia o perverso ditador a essa onírica figura chamada Bin Laden.
Há algum tempo sabe-se que não havia arma química alguma no Iraque. Agora, descobre-se que Saddam e Bin Laden nunca fizeram nem meinha.
Mais pra frente talvez saibamos que Saddam foi punido por causa de seu bocão (com curdos massacrados nunca alguém se importou).
O que nunca descobriremos é por que Bush atacou o Iraque.
Minha explicação é singela.
Bush é um jumento.
Saddam o provocou ele foi pra briga.
Ou melhor, mandou as marionetes brigarem por ele.

quinta-feira, abril 05, 2007

40

Paraíso Tropical, a novela, não vai bem.
As 40 donas-de-casa paulistanas foram convocadas para analisar o drama e dar a ele novos rumos.
Diagnóstico das notáveis: sexo animal é condenável; escroques são adoráveis e devem ter mais espaço na trama; gente muito ética é chata.
Lula gostou e mandou chamar as 40 paulistanas para conversar com seus 40 todos-nós-sabemos-o-quê.

domingo, abril 01, 2007

Piteuzinho

A grande maioria de minhas musas está no passado, mas aprecio belezas pós-modernas.
Varapaus, não. Beleza muito óbvia, também não.
Beleza com atitude, seja lá o que isso for, é o que importa.
Lilly Allen é isso aí.
Uma gracinha de menina com um disco delicioso gravado: Alright, still.
Seu primeiro e único trabalho me pegou pela despretensão.
Ela me lembra Betty Boo, outra graçola que eu adorava ouvir e ver.

quarta-feira, março 28, 2007

Coisa bonita de se ver - Ava Gardner

Sou passadista em termos de mulheres.
As mais belas que vi tinham o dobro de minha idade.
Greta Garbo, Audrey Hepburn, Grace Kelly, Sophia Loren, Claudia Cardinale, Tonia Carrero, Ingrid Bergman, Kim Novak, Lauren Bacall, Marlene Dietrich e muitas outras.
Ava Gardner era deslumbrante, mas está aí porque a vi em Mogambo, por esses dias.
No filme também está Grace Kelly. Linda. Mas não é páreo para Ava Gardner.

Carlos

Carlos era casado, sem filhos. Marivone, sua mulher, uma mulata bonita, o amava sinceramente. Pelo menos se casaram por amor. As dificuldades e a vida fizeram o casamento começar a desmoronar.
Carlos nunca se achou merecedor de Marivone. Seu irmão não cansava de lhe dizer:
- A caçamba de seu caminhão é pequena para tanta areia.
Ele também achava isso.
Ciumento sempre fora. Tinha medo de perder Marivone. Achou que se casando com ela a prenderia.
O casamento saiu. Foram morar numa casinha modesta, num bairro distante. Seu irmão foi o padrinho da cerimônia:
- Rapaz, não é que você conseguiu.
Para sustentar o casamento feito às pressas, sem planejamento, Carlos trabalhava muito. O primeiro ano de vida em comum foi uma maravilha. Carlos e Marivone viviam no céu. Apertados financeiramente, mas felizes. Aos domingos ou ia para casa da mãe ou da sogra.
Seu irmão prosperara. Carro do ano, roupas de grife, muito dinheiro: do tráfico.
A mãe fingia não saber. Os irmãos, também. Marivone admirava o progresso do cunhado e nas poucas discussões que tinham, sempre por falta de dinheiro, dizia:
- Por que você não conversa com seu irmão? Ele pode te dar uns toques de como ganhar dinheiro.
Ele sabia como o irmão ganhava dinheiro. Jamais contou para Marivone. Tinha vergonha.
As discussões entre ele e Marivone, antes raras, passaram a ser constantes. Sempre dinheiro.
No final, Marivone o feria:
- Seu irmão está de carro novo, reformou a casa toda.
Parou de visitar a família. Arranjou, para complementar a renda, um serviço de segurança. Trabalhava dia sim, dia não. Quando estava em casa era um bagaço, só queria dormir. O irmão o visitava, de vez em quando.
- Você não aparece mais. Mamãe está com saudades.
Uma noite, trocou o turno com o colega. Esqueceu da troca e foi trabalhar. No trabalho, riu com o amigo, da bobeira.
- Tô de cabeça cheia, esqueci de nossa troca.
Voltou pra casa. Na sua cama, o irmão e Marivone. Ainda ouviu o mano, rindo, falar no ouvido de Marivone:
- Você é muita areia pro caminhão do meu irmãozinho.
Deu meia-volta, foi até o bar do Careca, bebeu até não poder mais. Saiu do bar trocando pernas. Viu-se sem forças. Jogou-se embaixo de um carro.
Antes de morrer, pensou no trabalho que daria para o motorista.

AMARELINHA

A administração do conjunto habitacional em que moro deu uma ajeitada no playground. Brinquedos reformados, escorregador novo, painel com personagens de quadrinhos... Ficou bonito e a criançada adorou. A maior atração, no entanto, é um jogo de amarelinha, pintado no chão com capricho.
Às vezes, passo por lá e vejo uma fila enorme de crianças esperando a vez para jogar amarelinha. A garotada comporta-se como se estivesse em um shopping, aguardando sua hora de brincar.
Estou velho, casmurro, mas não posso deixar de pensar no meu tempo de garoto. Desenhávamos no chão, com giz, nossa amarelinha. Fazíamos garrafão, caracol e qualquer outra coisa que fosse necessária para nos esbaldar.
Não sou saudosista, nem preso ao passado, mas acho que a garotada de hoje só leva vantagem em relação à que foi criança há uns 40 anos, na sacanagem.
Aí, tenho de admitir: éramos uns babacas.

segunda-feira, março 19, 2007

Bicho burro

– Ulisses, de Joyce?
– Isso.
– Rapaz, você só lê tijolo.
– Leitura tem de ser desafiadora.
– Noutro dia era D. Quixote.
– É verdade. Intelectual, sacumé.
– Cara, por que esse amor repentino por literatura?
– Geraldinho, querido, isso aqui não é livro.
– Pô, tô vendo o livro na sua mão.
– Chapinha, já fui assaltado aqui na área um porrilhão de vezes. Já me levaram carteira, celular, relógio... Na última vez, me levaram tudo, menos o livro que carregava. Aí, surgiu a grande idéia: o livro-carteira. Dentro desses livros grossos e ocos carrego meus cartões, dinheiro, documentos, sem temer a bandidagem que, antes de qualquer coisa, é profundamente estúpida.
– Grande sacada.
– Nunca mais fui assaltado. Tenho esse Ulisses, o D. Quixote, um Grande Sertão: Veredas e Os Sertões.
– É só cavucar um livro grosso e andar por aí, tranqüilamente?
– Não é bem assim. Bíblia, não dá. Tem muito ladrão crente. Livro de auto-ajuda, nem pensar. Como já disse: ladrão é bicho burro. Adora ler merda.

quarta-feira, março 14, 2007

Vira-lata

Explicações. Uma das coisas boas de meus dias atuais é que não tenho de explicar nada. Saudades, também não tenho. Algumas lembranças de uns poucos bons momentos em família: mulher, filhos, cachorro... Mas a maior parte do tempo, minha vida anterior era só aporrinhação. Trabalho o dia inteiro, trabalho duro, pesado. Dormia cedo, na hora do jornal das oito já começava a dar cabeçadas. A voz grave do apresentador do jornal era meu acalanto. Antes de amanhecer já estava encarando o trem lotado. Todos os dias as mesmas sacanagens. Jogávamos pedra no pessoal na rua, fazíamos rodinha de carteado, tirávamos sarro da mulherada incauta. Era a melhor parte do meu dia. Minha vida era uma merda.
Explicações. Naqueles tempos teria de explicar o que me aconteceu. Hoje não. Só digo que uma manhã acordei e era um cachorro. Amarelo, cotó, grande, vira-lata. Daquele dia pra cá nunca mais vi meus familiares e, se depender de mim, jamais os verei novamente.

Cliente Cachorro

A nova coqueluche da “literatura” corporativa é Cliente cachorro. Os autores do livro, Daniel O’Shelly e Mary Severin, preconizam que o cliente precisa ser tratado como cachorro. “Tratado assim”, declara Severin, “num primeiro momento ele reage até com alguma agressividade, depois volta com o rabo entre as pernas”. O’Shelly completa o pensamento de Severin: “Normalmente, o cliente nem reage. Ele gosta de ser tratado como cachorro”.
Grandes empresas no Brasil compraram o livro e distribuíram entre seus funcionários que lidam diretamente com o público. A OI, o jornal Estado de S. Paulo, a TVA e a Embratel estão adotando o livro com sucesso retumbante.
“Um cliente telefonou reclamando do nosso telefone, o Livre. Não esperei nem que ele terminasse de falar e disse que se não estivesse satisfeito com nosso serviço que procurasse outra operadora. Ele até me pediu desculpas”, contou uma feliz funcionária da Embratel e leitora entusiasmada de Cliente cachorro.
Sebastião Civitta informou-nos que a adoção dos princípios de Cliente cachorro talvez seja a salvação da TVA, que chafurda no buraco há muito tempo. “Estamos pensando, inclusive, em mudar a forma de nossas funcionárias atenderem o telefone. Em vez de ‘TVA, fulana de tal, em que podemos ajudar?” usaríamos ‘O que você quer, porra’. É mais objetivo e põe o cliente em seu devido lugar”.
Da mesma forma que O monge e o executivo, Cliente cachorro não agradou tanto lá fora. "Tivemos sucesso mediano em alguns países, mas o estouro de vendas foi Brasil e Argentina", informou O'Shelly.

sexta-feira, março 09, 2007

Homofobia

Faz sucesso na mídia o pastor Marcos Gladstone.
Gay assumidíssimo, lidera uma igreja para homossexuais no Centro do Rio de Janeiro, a Comunidade Metropolitana. Para o sítio “NoMínimo”, Gladstone declarou: “As igrejas não podem ser trincheiras da homofobia, pois Deus é amor, não discriminação”.
Está certo.

Por causa dessa notinha publicada na revista Soma, há um babaca que de vez em quando enche meu saco. O cara tem horror a homossexuais e gostaria que eu pensasse e agisse como ele. Não dá.
Gente como esse idiota me fez deixar de acreditar em algo que em minha época de inocência cria: que uma boa conversa resolvia qualquer parada. Não resolve.
Hoje, aos 53 anos, quando alguém pensa diferente de mim, mudo de assunto.

Hienas

“Tenho 17 anos, três filhos que dei e este que está na minha barriga vou dar também. Vivo na rua desde os 11 anos e não quero ir pra casa de jeito nenhum. Aqui é legal.”
Voz rouca de catarro, feia como a miséria, perversamente inocente, a menina conversava com a senhora, antes de levar-lhe o relógio.
Uma dezena de outras crianças, como as hienas, escolhiam na manada os animais mais fracos para atacar.
Andar de 629 é tarefa de destemidos.

Agualusa

José Eduardo Agualusa, angolano de Huambo, é grande escritor, mesmo sendo elogiado por Caetano Veloso. A despeito de Caetano, levem Agualusa a sério.
“Negro e pobre são condições que se confundem no Brasil. Não se criou aqui, como em Angola, uma elite negra”, diz com propriedade para “Época” (13/9/2004).
Outros exemplos da lucidez de Agualusa:
Sobre literatura: “Não há personagem de autor português que não se suicide no final. Os portugueses parecem alguns autores paulistas atuais, soturnos e pessimistas”.
Sobre Lobo Antunes: “O maior escritor lusitano da atualidade chama-se António Lobo Antunes. Ele é difícil em sua linguagem cheia de metáforas, é mesmo exagerado e sombrio, mas, no meio de extensas zonas de sombra, encontram-se golpes luminosos. Só que há poucos portugueses com humor depois de Eça de Queirós”.
Sobre José Saramago: “Ele pode ser um grande escritor. Memorial do Convento é um excelente romance. Mas não gosto dele. Saramago cultiva o niilismo. É um pessimista que não acredita na vida e seus livros são contaminados pelo desencanto. É difícil escrever quando se descrê completamente da vida. Um grande romance deve ser feito com raciocínio, mas também com paixão, as vísceras e o coração”.
Corra a uma boa livraria, compre um livro do homem e deleite-se.

O bom homem

Na fila de táxis do NorteShopping, três homens. Um deles paraplégico.
– A cadeira é muito grande, não cabe no porta-malas do carro – explicou o taxista cheio de má-vontade.
Em outro táxi, o motorista, um senhor de idade, experiente e bondoso, se ofereceu para levar o grupo.
– Vamos dar um jeito de pôr a cadeira de rodas no banco de trás. Vocês dois se apertam. Ele, por causa da limitação dos movimentos, viaja na frente.
O senhor paraplégico, quase da mesma idade do veterano motorista, agradeceu.
– Muito obrigado. Deus lhe pague. Sempre se pode fazer algo por alguém quando há boa vontade.
Uma hora depois o velho taxista estava de volta ao ponto. Cercado pelos colegas, era alvo de impiedosas gozações. Não é todo dia que se é assaltado por um paraplégico.

Cheio de razão

“Dentro da mesma religião haverá mais grupos distintos, com idéias e comportamentos diferentes uns dos outros, principalmente no catolicismo e no protestantismo. Aumentará a competição entre as religiões e os grupos lançarão campanhas de marketing para conquistar fiéis. Nós já vemos um pouco disso hoje, mas com certeza será mais freqüente no futuro”. Alvin Toffler (autor de Choque do futuro e Terceira onda), à revista Veja, de 15 de outubro de 2003.

Papo de surdo e mudo

– O sr. Utahy Caetano dos Santos Filho, por favor.
– É ele...
– Sr. Utahy, aqui é do Carrefour. Constatamos que o senhor está com uma fatura em aberto há mais de 15 dias.
– Senhor, vou estar passando sua ligação para nosso Departamento de Dívidas com mais de 15 Dias em Atraso.
– O quê!?!
– Boa tarde, Departamento de Dívidas com mais de 15 Dias em Atraso. Em que podemos ajudar?
– Não acho, sr. Utahy, que esta seja uma hora apropriada para brincadeiras...
– Por favor, o senhor vai estar dizendo o que deseja?
– O senhor está com seu carnê em atraso há mais de 15 dias. O Carrefour tomará providências.
– O senhor disse Carrefour? Carrefour é supermercado. Aqui é o setor de Dívidas Bancárias. Senhor, aguarde na linha. Vou estar passando a ligação para o Departamento de Dívidas com mais de 15 Dias em Atraso, em nível de supermercado.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

PANDA AZUL

Pardais e ratos de Inhaúma estão em festa.
Panda Azul foi assassinado.
Minha sogra escolheu o nome.
Do gato, claro. Panda Azul era um gato.
Matava três a quatro pardais por dia.
À noite, detonava ratos.
Matava com requinte de crueldade.
Exasperava, torturava, levava pássaros e roedores à loucura e os deixava para que morressem lentamente.
Em sua curta vida reduziu consideravelmente a população desses dois animais inúteis: ratos e pardais.
Pena que Panda não era chegado a baratas e pombos.
Inhaúma chora.
Pardais e ratos rejubilam-se.
Eu estou triste.
Não verei mais Panda pegar pardais no ar, trazê-los ao chão e matá-los rindo.

sábado, fevereiro 10, 2007

Novo homem

– Geraldo, bonito carro.
– Carlinhos, querido, como vai?
– Bem. Gostei do adesivo: “Eu amo minha esposa”.
– É uma homenagem que presto a Vera, ao mesmo tempo mostra o valor que dou à família.
– Geraldo, sou eu, Carlinhos.
– Não estou entendendo.
– Trabalhamos juntos. Você foi mandado embora porque estava traçando a secretária do Jesuíno, que explorava o mesmo território.
– Eu mudei. Tive uma experiência mística. Sou um outro homem.
– Geraldo, vi você estacionando, saindo do carro, olhando a bunda da mulata que passava. Me aproximei pra te dar uma sacaneada por causa do carro e da secada. Pensei comigo, esse Geraldo é foda, não pode ver mulher. Aí vi o adesivo.
– Nada a ver. O velho homem, às vezes, nos domina.
– Praquela bunda você precisaria do novo homem, o velho não daria conta.

Estupidez

"O Talibã considerava os debates uma heresia, e a dúvida um pecado. Tudo, exceto decorar o Alcorão, era desnecessário, até perigoso. Quando o Talibã chegou ao poder em Cabul, no outono de 1996, os profissionais de todos os ministérios foram afastados e os mulás assumiram, governando tudo, do banco central às universidades" (O livreiro de Cabul, Asne Seierstad, p. 29).Onde se lê Talibã pode ser lido o nome de qualquer grupo religioso.O desejo de todos esses grupos é impor suas verdades.A estupidez é uma epidemia. E são estúpidos que conduzem grupos religiosos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Dunga fashion

Dunga deve ter sido um pai terrível.
Só isso explica as roupas que a filha estilista o faz vestir.

domingo, janeiro 28, 2007

Menina má


Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa, é um grande livro.
História de duas formas de amar, se considerarmos os protagonistas: Ricardito e a menina má.
História de muitas maneiras de amar, se levarmos em conta os vários personagens que surgem no romance.
Eu, leitor amador, admiro em Llosa a simplicidade como ele conta uma história. (Suas narrativas mais complexas levam os leitores profissionais ao orgasmo.)
O primeiro livro que li de Llosa foi Pantaleón e as visitadoras. Mudanças de falas dentro do parágrafo e subversão da pontuação eram novidades para mim. Terminei o livro encantado. Como me encantaria com Tia Júlia e o escrevinhador, História de Mayta e Guerra no fim do mundo.
O amor de Ricardito, que tudo tolera, e o da menina má, pura perversão, já fazem parte dos grandes amores da literatura.

MAN IN BLACK

O primeiro disco de Johnny Cash ouvi recentemente. Comprei-o depois que vi Walk the line.
De lá pra cá comprei quatro discos dele, três da série produzida por Rick Rubin. Cash empresta sua voz a músicas de vários artistas, entoa hinos religiosos e, claro, canta seu repertório próprio.
Para o mercado, é conveniente que um cantor seja claramente identificado em um nicho. Johnny Cash é um cantor country, mas escapou do gueto.
De minha vitrola (cedepleier o cacete) não sai American V: a hundred highways, disco lançado após a morte de Cash. É tocante ouvir algumas faixas cantadas com um fio de voz. O homem de preto representa o que há de melhor na música norte-americana.

“Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos” – Man in black

sábado, janeiro 27, 2007

Trator

Não adiantou muito torcer por Sharapova.
Serena Williams passou por cima da lindinha como um trator.
Pena. Por causa disso a partida foi curtinha.

Sharapova vs. Williams


Sou Sharapova desde criancinha.

sábado, dezembro 30, 2006

ARRRRRRGH!!!!!!!!

2007.
O novo ano promete.
Festa na República dos Babacas.
De festa entendemos todos.
Rebolemos a bundinha.

SADDAM

Saddam Hussein foi enforcado.
Está morto.
Nem a família sentirá saudades.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Elefante

Morri.
Três balaços no peito.
Aos 16, namorei um babaca.
Me fez um filho.
Me corneou.
Fui embora.
Sofri.
Criei meu filho sozinha.
Onde te encontrar, te mato.
Dez anos depois, morri.
O babaca tinha boa memória.

Pra quem gosta / Luci Clarkson

domingo, novembro 26, 2006

O prego

Dinho, a gente sempre foi amigo. Lu, sou apaixonado por você. Eu e Nelsinho estamos namorando. Lu, o prego? É o amor de minha vida.
Dinho, acabei com o Nelsinho. O prego? Você estava certo, por que sumiu lá de casa? Um ano de namoro, não tinha nada pra fazer lá. E você e Jane? Vamos ficar noivos.
Dinho, há quanto tempo? Cinco anos. E a Jane? Não deu certo, separamos. Por quê? Sempre fui amarrado em você, mas, essa barriga... É pra dezembro.
Dinho, não esperava te encontrar. A noiva é amiga de minha mulher. Casou de novo? Terceira vez, em 14 anos, mas com a Dulce estou há quatro anos, acho que parei. Estou no segundo, três filhos, pensando em sair pro terceiro. Tá ruim? Muito.
Quem, o Dinho? Morreu de quê? Assassinado? Foi o homem de minha vida. No começo, um prego nos separou. Depois, a vida.

Um merda

- Por que matar o cara?
- Você viu a casa dele?
- E daí, Neco? A gente tava com a grana, jóias, o lepitópi...
- Fiquei puto.
- O cara tava dormindo. Nem viu o que aconteceu.
- Tava cheio de cana.
- E daí, Neco, cê é do AA? Vai todo mundo correr atrás da gente. O ganho esse bêbado nem entregava.
- Hoje de manhã tava sem um puto e olha que corro atrás. Olhei pros meninos e me deu uma tristeza duca.
- E...
- O menor acordou e me pediu 10 pratas. Aí, moleque, não tenho. Pó, pai, tá sempre duro, sempre na merda.Dei uma porrada nele. O putinho me encarou.
- Cara, se soubesse não tinha te chamado.
- Mas chamou. Nunca tinha entrado nesses lances. Sou trabalhador. Você falou que era limpeza, a Verinha puta, cliente dele, te deu o serviço: sempre de porre, cheio da grana, herdou tudo que tinha, nunca trabalhou.
- E ainda deixei o 38 contigo.
- Fez bem. Descarreguei nele. Seguro a bronca. Matei um merda.

quinta-feira, novembro 16, 2006

COISA BONITA DE SE VER - Lauren Graham

É só por ela que eu vejo Gilmore Girls.

Pregador burro

O pregador aponta a multidão dentro da igreja e grita pra mim, telespectador desavisado: PODE ESSA MULTIDÃO ESTAR ERRADA? ERRADO ESTÁ VOCÊ.
Adolf Hitler tinha uma multidão com ele e Jesus Cristo, a quem o pregador deveria conhecer, foi condenado por outra.

Descamisados

Acredito piamente que só idiotas assistem novelas.
Idiotas aparentados com os que ouvem pancadão.
A nova das sete, escrita por Carlos (?) Lombardi, traz o indefectível Marcos Pasquim sem camisa.
Então, podemos concluir que as novelas de Lombardi, além dos idiotas, têm a assisti-las todos os que gostam de ver homens sem camisa.

Enlouqueci?

Vôlei é um esporte chato.
Fiquei toda a madrugada esperando a final feminina: Brasil vs. Rússia.
No último set, uma amareladazinha fez as meninas do Brasil perderem o título.
Eu me pergunto: o que está havendo comigo?
Por que ficar acordado pra ver uma merda dessa?

O gênio e o capiau

Atura-se um chefe incompetente e ignorante porque a alternativa, o desemprego, é pior.
Há um jogador de futebol que me faz sentar diante da tv para vê-lo jogar: Ronaldinho Gaúcho.
Dunga, o medíocre, resolveu barrá-lo na Seleção. Os especialistas dizem que é pra mostrar quem manda no pedaço.
Os mesmos especialistas afirmam que Gaúcho, na Seleção, não rende o mesmo que no Barcelona.
Ronaldinho Gaúcho não precisa agüentar chefe medíocre.
Não entendo por que não pede para que o esqueçam na Seleção e joga só pelo Barcelona, até o final de sua carreira.
O artista deve apresentar-se para a platéia que quer assisti-lo.
Deixe o capiau de gravata no bolso e o craque ucraniano dominarem a modalidade esportiva que tem semelhança com o futebol, mas futebol não é.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Pr. Haggard explica-se

Não vejo nenhuma contradição entre o que digo e o que faço. Sou casado, tenho cinco filhos, amo minha esposa, já passei dos 50 anos. Não sou homossexual.
Sim, é verdade que mantive relações sexuais com um garoto de programas, mas isso não invalida minha luta contra o homossexualismo.
O homossexualismo é do diabo e vivo em constante luta com o senhor das trevas. A maioria dessas lutas, venço. As poucas que perco me fazem queimar a rosquinha.
Eu sou aquele cinqüentão macho, pai de cinco filhos, conselheiro do Bush, que odeia veados.
O outro que também ocupa meu corpo é um sodomita derrotado.
Estou afastado do meu rebanho, mas como não há mais rebanhos de ovelhas e sim de burros, creio que com essa explicação poderei reassumir.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Comprei, gostei, ouvi e recomendo

Continuum, música de John Mayer.
Pra quem não tem vergonha de ouvir música bem tocada.

Uma coisa ou outra

Há quem creia que é uma coisa ou outra.
Sempre sou nenhuma das duas.
Isso é problemático.

Pitbull lógico

Comoveu-me a cena do pitbull morto a tiros.
Um homem caminha com um pitbull. Vê um bêbado caído e resolve ajudá-lo.
Pede a uma mulher que segure a guia do pitbull. A mulher vacila.
Ele a convence. O cachorro é manso.
O homem atende o ébrio. A mulher abaixa-se para brincar com o cão.
O cão faz o que fazem os cães quando confrontados: ataca.
Uma mordida na garganta e a mulher está morta.
O cão agiu dentro da lógica.
Ninguém ajuda bêbados caídos. Lugar de bêbado é na sarjeta, mesmo.
Ninguém segura a guia de um pitbull, voluntariamente.
Lamento a morte da mulher, mas piedade sinto pelo cão.

domingo, outubro 15, 2006

Paguei dez pratas na Bizz.
O mesmo babaca palpitou sobre os novos cds do Audioslave e do Justin Timberlake.
Desceu a lenha no Chris Cornell e endeusou o Timberlake.
Segundo o palpiteiro, periga a merda produzida pelo boyzinho ser disco do ano.
Só se for na casa dele.
De qualquer forma, é louvável a solidariedade entre a turminha.

sábado, setembro 23, 2006

Cornos

Cesinha era gente muito boa. Quando morreu, a vizinhança chorou.
Todos sabiam que sua mulher tinha um rolo com um engenheiro que morava no começo da rua.
O Cesinha sabia também. Se era do conhecimento de todos...
A mulher do engenheiro quis fazer um escândalo no velório do Cesinha. Disse que ia dar porrada na viúva.
Josefina arrastou-a pelo braço e sussurrou em seu ouvido: Amanhã você resolve a parada do jeito que quiser. Aqui exijo respeito ao Cesinha. A vida inteira que foi casado com essa vagabunda foi corno, mas era louco por ela. Depois que ele for enterrado, se quiser, arrumamos uma forma de reunir os três o mais brevemente possível.
A traída entendia Cesinha.
Só conseguiu dizer: Deixa pra lá, deixa pra lá.

sábado, setembro 16, 2006

Yeah Yeah Yeahs


Grande grupo.
Karen O é uma vocalista de respeito, mesmo sendo desrespeitosa.
Rock é atitude e ousadia.
Ando atrás do primeiro disco deles.
O que conheço, Show your bones, é ótimo.

Sua resposta vale um bilhão



Leitores profissionais, os críticos, precisam fundamentar seus comentários sobre determinado livro. Sou amador, compro meus livros, e aqui neste espaço não necessito ser coerente em meus pitacos.
Li um ótimo livro, Sua resposta vale um bilhão, do indiano Vikas Swarup (Companhia das Letras).
Um jovem fatura um bilhão em um programa de perguntas e respostas. Ignorante, a produção do programa não crê que ele pudesse saber as respostas das 12 perguntas que lhe foram feitas. Confrontado, o jovem diz, candidamente, que respondera àquelas perguntas por pura sorte.
Lá como aqui, a polícia já lhe dava umas porradas para descobrir como ele chegara às respostas.
Uma advogada o livra da polícia e o ouve contar sua vida e as 12 histórias que lhe deram as respostas para as perguntas do programa.
Vale o investimento em uma narrativa que mostra um pouco da cultura indiana e segue a cronologia das perguntas.

Amor

Tião estava apaixonado. A menina parecia corresponder, mas o pai marcava em cima. Como chegar na mina era o pensamento que virara obsessão na cabeça de Tião.
Leandro era fotógrafo. Fazia uns bicos pruma ong. Tinha livre trânsito na comunidade. O homem garantia. A ong dava uma força pros caídos da área.
Tião se chegou a Leandro. Leandro não se preocupou com o moleque carregando um fuzil maior que ele mesmo. Tava garantido pelo poder do movimento.
Aí, dá pra tirar umas fotos? Eu com as armas.
Tudo bem. Mas não vai sujar se cair em mãos erradas?
Você revela pra mim. Vou mostrar pro pai de uma mina que tô afim. O pai dela, quando sacar que eu tenho responsa, vai liberar.
Faz a pose. Tudo em nome do amor.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Masoque

Sou cavalo de Masoque.
Tem manhã que ele incorpora e eu, em vez de ir para o trabalho de metrô, embarco no ônibus. Troco 15 minutos de suruba por mais de uma hora de agonia.
60 minutos com gente feia, fedorenta.
O ônibus se arrasta e Masoque comigo.
No superengarrafamento da Brasil, Masoque sobe. Me deixa sozinho. Gosta de sofrer, mas gosta mais de uma sacanagem.
Rio, purgatório da beleza e do caos, quase geme Fernandinha.
Pra mim restou o caos.
Masoque é um puto.

quarta-feira, agosto 02, 2006

COISA BONITA DE SE VER - CLARA MORGANE

Futebol

Passada a Copa do Mundo, que foi uma porcaria, quem gosta de futebol tem de conformar com o Campeonato Brasileiro.
Meu Flamengo está onde sempre esteve: brigando pra não ser rebaixado.
Sábado, Sávio estréia.
Pode ser que seja um flamenguista otimista, mas acredito neste time que o Flamengo formou.
Não é tão horroroso quanto os últimos que vi jogar.
Passes de três metros os caras conseguem acertar.
Campeão não vai ser, mas acho que dá pra ficar entre os cinco primeiros.
Será um progresso do cacete.

Sobreviventes

Morto Chico Science, imaginei que a Nação Zumbi não fosse longe.
Não acompanhei regularmente a carreira dos caras.
Comprei um cd, gostei bastante, mas estava longe de Da lama ao caos e Afrociberdelia com Chico.
Esqueci do Nação e fui ouvir outros sons.
Resolvi, não sei por que, comprar Futura.
Discaço.
O impossível, pelo menos pra mim, aconteceu.
Sobreviveram a Chico Science.

quarta-feira, julho 12, 2006

Críticos

Dizem os luminares da crítica musical:
Coldplay soa como U2, não passa de um sub-Radiohead.
Snow Patrol quer ser Coldplay.
Keane é Coldplay sem guitarras.
Elefant é mistura de David Bowie com Cure.
Interpol emula Joy Division.

Críticos de música, de cinema, de futebol.
Ganham pra falar merda.

sábado, junho 17, 2006

Lamento

Não há muita gente pra se lamentar quando morre.
Lamento, no entanto, a morte de Bussunda.
Gostava dele sem conhecê-lo.
Talvez se o conhecesse, não lamentasse.

O time

A República Checa chegou cheia de pose.
Gana a massacrou.
Foi roubada pelo conhecido ladrão brasuca, Carlos Simon.
Contra os checos sapecou a maior goleada da Copa: 18 a 0.
Argentinos o cacete, o time é Gana.

sexta-feira, junho 16, 2006

Melhor profissão do mundo

Acho que já disse isso aqui. Se o fiz, repetirei. Pudesse eu voltar no tempo, seria comentarista esportivo. Creio que é a única profissão em que se recebe salário para falar merda.
O comentarista esportivo precisa apenas de sua opinião, que não precisa ser inteligente nem inovadora. Particularmente, consigo ler um comentarista: Tostão. O resto é lixo.
Pior (muito pior) que o comentarista que escreve é o que participa de resenhas televisivas. São figuras grotescas. Profetas do já acontecido.
Gosto de futebol. Em época de Copa, assisto uma ou outra partida. Se não fosse tão viciado em barulho, ouviria as transmissões sem som. Fico chocado com o exército de jornalistas que é enviado para cobrir a Copa.
Mas a Copa está começando. Gostaria de ver o Robinho jogando desde o começo. Ronaldo deveria estar treinando à parte para voltar nas oitavas.É só minha opinião. Pena que não tenha um trouxa pagando para eu dizer essas coisas.

quarta-feira, abril 26, 2006

O subalterno

O chefe estava feliz.
– Saímos do vermelho este mês. Vai dar pra repassar alguma coisa pros funcionários.
O subalterno protesta:
– Mas, doutor, estamos saindo do sufoco agora. Não seria melhor consolidarmos esta situação antes de falarmos em aumento.
O chefe, rindo.
– Quem falou em aumento? Pensei em um bônus. Esses meses todos o pessoal tem se sacrificado. Atrasamos o salário algumas vezes. Cortamos plano de saúde. Não damos mais vale para refeição. A turma, mesmo assim, não deixou a peteca cair.
O subalterno insiste:
– Doutor, seu coração é muito grande. A turma deveria agradecer por ter um emprego. Se o senhor der bônus este mês, no próximo vão querer de novo.
O chefe, apreensivo.
– Talvez você tenha razão, Figueira. Creio que ia me precipitar.
O subalterno sugere:
– Acho melhor nem pagarmos amanhã. Vamos deixar pra semana que vem. Eu reúno o pessoal e digo pra ficarem tranqüilos porque estamos correndo atrás do salário do mês.
O chefe, pensativo.
– Tá certo, Figueira. Faça isso. Comunique os funcionários.
O subalterno exulta:
– Vou fazer um comunicado escrito, doutor. É mais profissional.
O chefe, cansado.
– Figueira, todo patrão precisa de um auxiliar como você. Insensível, perverso, cínico, bajulador, um verme.
O subalterno babeja:
– Muito obrigado, doutor, faço o meu melhor.

Chega de política

Eventualmente, fiz comentários políticos nesse espaço. Isso acabou.
Não tenho mais colhões para ler/ver/ouvir política.
Meu tempo precioso não gastarei nem considerando alguém para votar como síndico de meu condomínio.
Quer saber de política? Suma daqui.

Coisa bonita de se ver - Anna Kournikova

O tempo

Pat estava jurada de morte.
Namorou um soldado.
Ele subiu na carreira, virou gerente e quis ser dono de Pat.
Pat gostava do cara, mas propriedade dele não seria.
Terminou, saiu da comunidade, da cidade. O amor do general era doido.
Levou a mãe com ela, porque mais nada tinha pra levar.
Dez anos é muito tempo.
Voltou ao Rio. Um absurdo não poder vir à cidade.
Passou uma semana em casa de primos.
Ligou para amigas. Falou das saudades.
Perguntou do antigo namorado.
Ninguém sabia.
Há anos foi escorraçado da favela. Deve estar morto.
Não estava.
Três tiros e Pat morreu.
Antes de morrer, talvez tenha pensado: “Dez anos não é tanto tempo assim”.

terça-feira, abril 11, 2006

Releitura 1

Intencionalidade
Meu mozinho avisou:
– Tá ridículo, tênis e camiseta vermelha. Se enxerga, põe uma roupa mais sóbria.
– Sóbrio, eu... Qualé?
Os dois afro-brasileirinhos parece que também não gostaram do vermelho.
– Ô tio, o pessoal do 3º Comando não gosta de vermelho.
– E eu com isso? Tô cagando pro exército. A ditadura já acabou há muito tempo. Comunismo, vermelho, isso já foi.
– Tio, cê é folgado. A turma do 3º vai te tirar essa camisa pelo rabo.
– Não há mais espaço pro arbítrio. Sou cidadão em uma democracia. Vou onde quero, do jeito que quero. Os militares que cumpram suas obrigações.
Os moleques desistiram de mim, mas outros três baitolões que estavam perto, não. Me encheram de porrada e ameaçaram:
– Da próxima vez que aparecer de vermelho por aqui, morre.
Meu mozinho fazia os curativos e ouvia minhas lamúrias:
– Tudo secreta. Nenhum deles estava de uniforme. Tão caçando comunistas de novo.

sexta-feira, abril 07, 2006

A cura da insônia

A insônia é um mal global.
Cientistas buscam meios de acabar com ela. Encontram, no máximo, paliativos.
Milhões de pessoas gostariam de deitar-se para dormir... e dormir.
A cura da insônia, no entanto, está bem mais próxima do que se imaginava.
Elienai Castilho, médico pediatra, escreveu artigo para a prestigiosa revista Medicina Hoje, em que apresenta tese que vem sendo considerada revolucionária no meio acadêmico. O dr. Averald Ornnius, diretor da Clínica Morfeu, garante que a teoria de Castilho mudará todo o tratamento das doenças do sono.
“Sempre viajo de metrô e observo há muito tempo que nenhum passageiro ao se sentar nos bancos de cor laranja, destinados a idosos, gestantes e deficientes físicos, consegue ficar acordado. Há nesses bancos alguma substância, talvez mesmo a cor, que faz com que as pessoas quedem em sono profundo. Uma vez vi uma senhora idosa gritando no ouvido de um rapaz, pedindo que ele lhe cedesse o lugar. O rapaz, coitado, não conseguiu acordar, tão profundo era o sono em que estava. Creio, por isso, ser essa a solução para a insônia, pelo menos para uma parte do público interessado. Tenho observado que gestantes, idosos e deficientes físicos não dormem com tanta facilidade ao contato do banco de cor laranja. Mas descobrir a razão por que isso acontece é trabalho para pesquisadores mais gabaritados do que eu. Estamos muito perto da cura da insônia”, declarou o dr. Castilho

quarta-feira, março 29, 2006

O bicho da cara preta ataca novamente

Hermético Pascoal, 69 anos, se apaixonou por uma jovem de 26.
Daí pra cá anda fazendo mais asnices do que costumava fazer.
Ele não tem culpa.
O bicho da cara preta quando ataca costuma ser implacável.
Aproveite Hermético.
Sua música pitoresca não fará falta.

Coisa bonita de se ver - BEYONCÉ



Se fosse ela a dançar na Câmara, quem reclamaria?

CLIENTE CACHORRO

A nova coqueluche da “literatura” corporativa é Cliente cachorro.
Os autores, Daniel O’Shelly e Mary Severin preconizam que cliente precisa ser tratado como cachorro. “Tratado assim”, declara Severin, “num primeiro momento ele reage até com alguma agressividade, depois volta com o rabo entre as pernas”. O’Shelly completa o pensamento de Severin: “Normalmente, o cliente nem reage. Ele gosta de ser tratado como cachorro”.
Grandes empresas no Brasil compraram o livro e distribuíram entre os funcionários que lidam diretamente com o público. A OI, o jornal Estado de S. Paulo, a TVA e a Embratel são algumas das empresas que estão adotando o livro com sucesso retumbante.
“Um cliente telefonou reclamando do nosso telefone, o Livre. Não esperei nem que ele terminasse de falar e disse que se ele não estivesse satisfeito com nosso serviço que procurasse outra operadora. Ele até me pediu desculpas”, contou uma feliz funcionária da Embratel e leitora entusiasmada de Cliente cachorro.
Sebastião Civitta informou-nos que a adoção dos princípios de Cliente cachorro talvez seja a salvação da TVA, que chafurda no buraco há muito tempo. “Estamos pensando, inclusive em mudar a forma de nossas funcionárias atenderem o telefone. Em vez de ‘TVA, fulana de tal, em que podemos ajudar?” usaríamos ‘O que você quer, porra’”.

Elefoa bailarina

A elefoa bailarina declarou que se fosse bonita e gostosa a reação da imprensa teria sido outra.
Tem razão.
A imprensa reagiria de outra forma e ainda pediria pra ela tirar a roupa.
Seria pelo menos um espetáculo bonito de se ver.

Danço, mesmo sendo gordo

Fiquei comovido ao ler na Folha de S.Paulo que a FNAC está preocupadíssima em baratear o preço dos livros. "Preocupamo-nos em tornar os livros acessíveis ao povo brasileiro", declarou um diretor do shopping de livros, cds e assemelhados.
É por essas e outras que eu danço.

Pragmática

- Dudu, estou grávida.
- E aí?
- Você é o pai.
- Cumé que vou saber?
- Só transei com você.
- Quem me garante?
- Eu.
- Não é suficiente.
- Podemos fazer exame de DNA.
- Não posso me casar agora.
- Casar com você? Tá louco. Nem foder você sabe. A gravidez foi um acidente. Não sei se tenho a criança ou se tiro. De qualquer jeito, vou precisar de dinheiro.

Este é um país que vai pra frente...

Vi foto na Folha de S.Paulo que me deprimiu.
Ando me deprimindo muito, será que depois de meio século de vida estou encontrando uma nova razão de viver?
Sem divagações.
Deprimiu-me ver brasileiros em pé, por horas (a legenda informou) aguardando o visto para Bushlândia.
A arrogância americana é insuperável.
O servilismo brasileiro, incomparável.

Da mesma substância

Às vezes me bate um grande desânimo.
Por querer preservar a saúde periclitante que tenho, não leio mais noticiário político.
Lula para mim foi uma decepção e ponto final.
Ele e Collor são feitos da mesma substância. Não são diferentes porque têm origens diferentes. Ambos são destituídos de caráter, mergulharam fundo na corrupção.
Um foi punido; o outro será nosso presidente por alguns anos.
Preciso me manter são e animado.
Não está fácil.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Carnaval carioca

Fui domingo à tarde em Ipanema.
Precisei descer do ônibus, por causa do engarrafamento, no final de Copacabana.
Muita gente na rua.
Passei pela Rainha Elisabeth, Praça General Osório e bom pedaço da Visconde de Pirajá.
Às 18h30 peguei um ônibus voltando pro subúrbio.
Não ouvi nenhum som de música, nenhum batuque.

Embratel: confia quem é otário

Há alguns anos comprei um telefone da Vesper.
Não era grande coisa.
A Vesper foi engolida pela Embratel, o serviço, sem surpresa, piorou muito.
Há um ano deixei a base do meu telefone cair.
Os técnicos alugados pela Embratel não fazem conserto, repõem aparelhos.
Comprei a base e menos de 365 dias depois ela pifou sozinha.
Pedi assistência técnica.
Da Embratel me ligou uma pernóstica: "Ou o senhor compra outro aparelho ou perde a linha. Não trabalhamos mais com essa base Motorola. Nossos alugados não consertam, só repõem".
Pensei em processar a Embratel, mas me contento com apenas um singelo desabafo:
EMBRATEL, vá se fuder.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Coisa bonita de se ver - Nicole Kidman

Tá difícil

Li ontem no Estadão que José Serra se aconselhou com o astrólogo Quiroga, que dá expediente no Caderno 2, sobre a conveniência de se lançar candidato agora.
O astrólogo aconselhou Serra a ficar no mocó.
Temos um pré-candidato, o Escroquinho, que diz falar com Deus.
Nosso presidente é o que é (tá legal, confesso, votei nele).
Alckmin é fãzoco da Opus Dei.
E César Maia (apesar de lunático) pergunta ao caboclo Cobra Coral se vai chover.

Tá difícil escolher.
Falta pintar um homem-bomba e um macumbeiro que anda sobre brasas.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Lição de vida

- Filho, você sabe que papai está morrendo...
- Que isso, pai...
- Não me interrompa. Tenho pouco tempo. Preciso reparar um mal que fiz a você.
- Pai, você sempre foi carinhoso, me deu a melhor educação que pôde, me ensinou o valor de ser uma pessoa boa, honrada, solidária, firme em seus valores.
- É isso, filho. São essas bobagens que você deve esquecer.
- Pai...
- Filho, sempre me pautei nesses princípios. Onde cheguei?
- Pai...
- Filho, há dois dias eu estava na maca, lá embaixo, na emergência. Hoje estou nesse quarto particular em um hospital onde não deveria haver quartos particulares.
- E então, pai...
- O Osvaldo me colocou aqui. O Osvaldo que eu carreguei nas costas durante toda a minha vida estudantil. O Osvaldo, o cara mais burro que conheci. Hoje é um homem riquíssimo, influente.
- Pai, muita gente rouba, ganha a vida desonestamente. É isso que você quer para mim?
- O Osvaldo nunca roubou. Ele é adepto do baba-ovismo. Há muitos anos ele me convidou para ser como ele. Confesso que achei abjeta a condição dele: sempre com um ovo na boca.
- Pai, não é fácil ser baba-ovo.
- Eu sei, meu filho. O Osvaldo é um talento nato. Ele se aproximou de mim criança. Vivia me dando bolas de gude, pipas. Na adolescência, até garotas arrumava para mim. Tudo por interesse. Ele sempre ganhou com nossa amizade. O baba-ovo não faz nada de graça.
- Pai, ele arrumou este quarto para você.
- Deve haver um motivo. Mas, filho, estou morrendo. Procure o Osvaldo, peça a ele para iniciá-lo no baba-ovismo. Nós estamos no Brasil. Só ladrões e baba-ovos prosperam. Ladrões correm o risco de ser presos, baba-ovos, não.
- Pai, vou pensar.
- Filho, acho que, infelizmente, você viverá na merda como eu. Talvez o baba-ovismo seja mais complexo do que imaginava. Quem sabe não é genético?
- O Osvaldo tá chegando, pai.
- E aí, filho?
- Osvaldo, há quanto tempo. Tem uns dez anos que não te vejo. O tempo não passou pra você. Parece até que tá mais jovem.
- Isso, filho. Meio artificial, mas você vai aprender.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Coisa bonita de se ver - Jennifer Garner

Bandas que tocam meu coraçãozinho - ACDC

Os áureos tempos de Let there be rock ainda com a voz de Bon Scott. Brian Johnson sempre foi um vocalista esforçado, mas jamais fez sombra a Scott. Claro, o coração (e pulmão) do ACDC sempre foi o menino problema Angus Young. Herói da guitarra como já não existe mais.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Coristas

Encontro o amigo. Ele está feliz.
– Fiquei noivo – fala e mostra a reluzente aliança de ouro na mão direita.
– Pô, até o mês passado você estava casado...
– Descasei.
– Bom, felicidade. Mas você não está indo muito rápido?
– Minha parceira me perguntou se eu era capaz de ficar noivo dela. A gente tá morando junto. Na igreja a turma já pressionava.
– No mais, tudo correndo bem?
– Nada. Minha mulher entrou com pedido de pensão pros nossos filhos.
– Três, né?
– Isso. Minha noiva ficou revoltada e fez o mesmo com o ex-marido. Ela tem duas crianças com ele.
– Pô, o cara entrou de gaiato.
– Nem tanto. Ele tá vivendo com a minha ex. A gente fez uma troca.
– Chato, né?
– Tá tudo bem. Só fico constrangido no ensaio do coro. Mas isso passa.

Show de horrores

Sol de rachar.
Metrô lotado de banhistas.
Eu, em roupa de trabalho, olho pras meninas espalhadas no vagão em sumários trajes praianos.
A pergunta em minha mente: “Em que show de horrores se apresentariam moçoilas tão assustadoras?”

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Lucinha

Lucinha. Papai tinha tanto orgulho dela. Era bonita, mas não só. Era inteligente. Simples, dócil, doçura de menina. Aos 14 vai dar trabalho. Não deu. Dezoito é a fase terrível. Não foi. Aos 20, se prepare... Os namorados, todos ótimos. Nunca se apaixonou de perder a direção. Pai, eu e Ernesto resolvemos nos casar. Que bom, filha. O Ernesto é um grande garoto. Já vimos a casa, fica a um quarteirão. Posso vir sempre vê-lo. Se preocupa comigo não, filha. Pai, tenho notado o senhor tristonho. É por causa do casamento? Não, filha. Pode parecer bobagem, mas gostaria que você tivesse me dado mais trabalho.

Mandona


Quando era garoto esperava ansiosamente o lançamento dos discos de meus grupos musicais preferidos. Saía um novo álbum dos Beatles ou dos Rolling Stones e eu pedia a meu pai que comprasse. Durante o dia, ligava pra ele várias vezes. À noite, o disco rodava no vitrolão.
A janela de minha casa dava direto para a rua. Era o disco começar a tocar e amigos e amigas se chegavam para ouvir e dançar. Bons tempos.
Ouço, no momento em que escrevo, Confessions on a dance floor, o novo CD de Madonna. Normalmente, não compro discos dela. Tenho apenas Ray of light e, agora, este. Se Madonna tivesse construído a carreira em cima de discos como estes dois estaria entre as deusas do pop.
Não foi assim, mas ter feito dois discos como esses já a põem em lugar de destaque, bem acima de jovens lixos que posam de gênios.

domingo, novembro 06, 2005

Luz e Trevas



Em foto, os dois líderes maiores dos Maçons Espada.
É raríssimo o encontro dos dois mestres supremos da, talvez, sociedade mais secreta do país.
A origem deste grupo que vive nos subterrâneos do subúrbio leopoldinense remonta ao final do século passado.
Em 2003, houve a primeira cisão dos espadas, com a saída de Tutuco que, parece, não era tão espada assim.
Os Maçons Espadas não têm sinais e palavras secretas.
É Trevas quem diz: “Não somos homofóbicos mas evitamos ser confundidos com pederastas”.

sábado, novembro 05, 2005

Bezerra da Silva, o grande

Adolescentes são folgados e eu gosto de usar bonés, por causa disso, noutro dia, na rua, um moleque passou por mim e disse:
– Tudo bem, Bezerra.
A referência era a Bezerra da Silva, o falecido sambista. O boné na minha cabeça era parecido com um dos que o cantor costumava usar. Interiormente, achei graça. Mas, pra não perder a pose, mandei de volta: “Mais ou menos, babaca”.
Adolescentes são folgados. Na maioria das vezes, meio estúpidos, mas não tanto a ponto de sacanear alguém desconhecido, 140kg de puro músculo e 1,80m. A não ser que...
Adolescentes são folgados e andam em bando. São como gnus: covardes, desajeitados e perigosos.
Cercaram-me, encheram-me de porrada e ainda disseram que eu apanhei porque tinha mexido com uma menina do bando.
Estropiado, ainda ouvi uma senhora dizer:
– Esse pessoal do samba não respeita ninguém.

terça-feira, outubro 11, 2005

Beleza eterna - Ava Gardner

A fila

Primeiramente, uma explicação para quem não é carioca ou, sendo, possui automóvel e não precisa se misturar com a ralé.
No Rio, há algum tempo, o idoso tinha reservado para ele alguns lugares nos ônibus, antes da roleta. Cada ônibus levava 5 vovôs, no máximo.
Com o advento do cartão magnético, os da feliz idade sentam-se junto com os outros passageiros. Tudo isso para explicar a confusão que vi ontem.


– Esses velhos são muito folgados. Por que não entram na fila, como todo mundo?
– Nós temos precedência, minha filha. A lei nos garante isso.
– A lei garante que a senhora viaje de graça e não furando fila.
– Menina, eu tenho 75 anos. Me respeite.
– A senhora não se dá ao respeito. Entra no final da fila. Eu estou contando. Enquanto o ônibus não vem, a senhora é a sétima velha que entra na minha frente. É muita malandragem.
– Malandragem... Trabalhei minha vida inteira para ouvir uma desocupada me chamar de malandra. Daqui a pouco vou ser agredida por fazer valer meus direitos.
– Vovó, o que o resto da fila vai fazer eu não sei, mas a senhora, na minha frente, não entra.
E não entrou mesmo.

Oi e Telemar: é fácir odiar.

Oi não é celular, eles mesmos dizem. O que será, então?
Depois de 25 dias, consegui passar o meu telemóvel pós-pago para pré-pago.
Imagino que esta seja uma operação de grande complexidade, por isso agradeço aqui neste concorrido espaço aos operosos funcionários da Oi que, junto comigo (afinal foram 23h27min de ligações), lograram êxito na árdua empreitada.
Grato: Luciana, Miro, Vânia, Luci, Mila, Antonio, Graça, Ana, Rafael, Jurandir, Carla, Otávio, Elcio, Mara, Denise e Otto. Não publico os respectivos números de ocorrência por julgar desnecessário, mas, creiam, vocês estarão para sempre em meu coração.
Sim, tenho de dizer que o telemóvel está funcionando direitinho.

sexta-feira, setembro 23, 2005

O gás

O Metrô do Rio de Janeiro tem lugares disponíveis para idosos, deficientes físicos, grávidas e mães (e pais) com crianças de colo.
Um erro de projeto na construção dos vagões do Metrê, no entanto, tem prejudicado esta população que, por isso, não exerce plenamente seu direito.
Os bancos destinados a estes passageiros especiais, logo que tocado por uma bunda de passageiro comum, desprendem um gás que provoca sono intenso no dono da bunda mencionada.
O que vemos, então, é um espetáculo bizarro: pernetas, buchudas, caquéticos e nenezinhos em pé, imprensados, e nos bancos destinados a estes desgraçados, infelizes vítimas do gás do sono roncam de prazer.
Ainda bem que o efeito do gás é temporário. Assim que chegam a sua estação de destino, os dorminhocos acordam milagrosamente.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Poderosas DESTINY'S CHILD

Adolescentinha

A adolescentinha subia as escadas preocupada. Com as duas mãos, juntava a saia às coxas.
Alguns metros atrás, Sátiro, atento, observava.
A jovenzinha, cuidadosa, olhou em volta para ver se alguém, aproveitando-se de eventual desatenção, tentava pelo menos vislumbrar o tesouro que escondia.
Sátiro olhou-a com cupidez. Deixou claro que estava ali para ver.
Assustada, a menina apertou o passo e desapareceu, veloz como só as adolescentinhas sabem ser.

O jegue mamador

Severino viveu 40 anos à sombra.
Ali, mamava leite bom, cremoso.
Quietinho, só morto teria deixado a suculenta teta.
Quis vir à luz.
Comer louras coxudas às claras.
Mostrar pros conterrâneos a vitória do jumento.
O jegue volta às trevas.
Mas acumulou muito leite nessas quatro décadas.
E, quem sabe, volta pra mamar mais um pouquinho nas próximas eleições.

Intelectuais

Rubem Fonseca, o escritor, e meu cunhado têm pelo menos uma coisa em comum: assistem a um filme por dia.
Todos os dias, o irmão de minha amada vê com atenção a Sessão da Tarde da Globo.

terça-feira, setembro 20, 2005

Recordar é viver - LAURA ANTONELLI

Loucura

Calote

– .......
– Alô!
– Panificação Dois Irmãos....
– Gostaria de falar com o senhor Adamastor Pessanha.
– Não tem ninguém aqui com esse nome.
– Mas eu já falei com ele nesse número.
– Este número é de uma padaria e não temos funcionários com esse nome.
– Seu Adamastor, é o senhor, não é? Fale comigo, nós podemos chegar a um acordo.
– Minha senhora, vou desligar, a padaria está cheia. Não tem nenhum Nestor aqui.
– Adamastor...

– ......
– Bom dia, o senhor Adamastor, por favor.
– Açougue Três Corações, a seu dispor.

terça-feira, setembro 13, 2005

O jumento

Severino, o jumento que preside a Cãmara, defendeu-se de uma das várias acusações que sofreu dizendo não ser maconheiro nem homossexual.
Eu também não.
Ele se considera digno por isso.
Eu não, mas sou humano, naturalmente corrompido.
Ele é uma cavalgadura.
Cavalgaduras são sempre inocentes, a não ser que queimem rosquinha ou um baseado.

Herói

– Não segura minha mão, se não te dou porrada.
(Ele vai bater na mulher e ela está grávida. Eu tenho de fazer alguma coisa. Preciso intervir.)
– Você é um covarde. Só bate em mulher. Veado, veado...
(Pode ser que fique só na discussão. Ele pode estar armado. Eu não tenho o hábito de brigar.)
– Veado, não. Quem é que te fez esse filho, sua vagabunda?
(Esse camarada é um animal e ela é bonita. Acho que se eu chamá-lo à razão...)
– Tá muito certo que foi você, né, mané?
(Cacete, ele deu um soco na cara dela. Será que ninguém intervirá? Ai, outro soco. Meu Deus, ela caiu. Deixa eu apressar o passo. Ela deve saber porque está apanhando.)

O ganho

– Sebá, tá voltando do batente?
– Tô morto. Virar laje é fó.
– Pensou naquela parada?
– Me põe na fita? Se cê me pô, tô dentro.
– Cê vai ficar no alto da passarela. Se tiver limpeza, dá um sinal com o boné.
– Ó...
– Quando a gente parar o carro no tiro, cê puxa.
– Falô
– Te dou 50, tá legal?
– Se tá. É três dias virando laje.